
Conquistando seu merecido espaço na música brasileira e destruindo conceitos pré-estabelecidos, o músico Wado, via e-mail, concedeu-me uma entrevista sobre os rumos de sua carreira e o novo disco, "Atlântico Negro".
1-Olá Wado, pra começar gostaria de saber um pouco sobre o ínício de sua carreira.
Comecei a compor ainda adolescente, aqui em Maceió, junto com um amigo chamado Glauber Xavier. Alguns anos mais tarde, no dia que me formei em jornalismo, comprei uma passagem de ônibus para o Rio de Janeiro, fui tentar a música e morar com minha namorada na Cidade Maravilhosa. Depois de algum tempo e perrengues, consegui um contrato com a Dubas Música, de Ronaldo Bastos. Fiquei indo e vindo, entre SP/RJ/AL, até que em 2004 fui morar no RJ e lá fiquei por 2 anos e meio. Depois passei um ano em SP e faz três anos que voltei a morar em Maceió. Nesse tempo tenho trabalhado com outras coisas além de música, como produção cultural, de eventos e jornalismo.
2-Quais são as suas expectativas quanto ao novo álbum, "Atlântico Negro"?
Não sei como as pessoas irão receber estes afoxés, apesar do disco ser bastante palatável no meu entender, o afoxé é um gênero um tanto estigmatizado. Espero que as pessoas se divirtam com o disco e me chamem pra tocar em outros estados, esta é minha grande diversão.
3-"Atlântico Negro" têm uma forte presença da cultura afro, dá onde veio isso? Das experiências cotidianas de Maceió, por exemplo, ou da ideia de miscigenação tão presente no Brasil?
Acho que mais do que qualquer coisa, vem da música mesmo. Dos primeiros discos de Moraes Moreira de 79 e 80, dos afoxés de Caetano, da Margareth, do Davi Moraes, do Carlinhos Brown e da Ivete. Me diverti muito estes últimos tempos com esse tipo de informação. Tem também este lado afetivo de lembrar de alguns trios elétricos que eu ia assistir nas periferias de Maceió, essa cultura pegou muito no Nordeste todo.
4-Qual a diferença marcante em relação aos quatros discos anteriores? Algumas críticas elogiaram o tom mais "alegre" e menos melancólico. Qual sua opinião sobre essa visão do seu trabalho?
Acho bom que seja um disco mais feliz. Tenho evitado fazer discos tristes, porque mesmo assim as pessoas enxergam uma melancolia no meu trabalho, que eu acho que deva existir mesmo. Qualquer hora vai sair um disco tristão de samba, eu acho, para dar vazão à umas coisas dessa natureza.
5-Essa pergunta é um pouco clichê, mas é importante. Qual o valor da internet para sua carreira?
A internet viabiliza a maior parte da minha carreira, desde distribuição até a venda de shows. Se não fosse isso estaria alguns degraus abaixo nessa pequena construção.
6-Pra encerrar, gostaria de saber as metas de Wado daqui em diante.
Trabalhar este disco da melhor forma possível, tocar o máximo que puder, ganhar algum dinheiro e continuar compondo e lançando discos. O Fábio Trummer, do Eddie, dizia uma coisa que concordo, algo do tipo, "quando a obra for tamanha será natural que ela se expanda e conquiste seu espaço". Temos de continuar fazendo isso.
Mais informações e para ouvir Wado:
http://www.myspace.com/wwwado


música, dinheiro, o ganha pão da nossa cultura falida!!!!
ResponderExcluirGostei da entrevista!!!