
Zeca Viana
Todo músico que se preze sabe que tocar numa insólita e fria quarta-feira, ou num domingo nublado ou chuvoso, é um tanto indigesto. Contudo, subir no palco sempre é sagrado e satisfaz quem toca com amor e por amor à música.
Então na última quarta-feira lá fui eu assistir o show, "A invasão pernambuca", na Livraria da esquina, na Barra Funda. A atração principal era a galera do Nuda, antes tocavam Zeca Viana e Lulina. Confesso que estava frio, mas pra mim nem tanto. Já pros pernambucanos, provavelmente, estava de lascar.
Nessa típica noite paulistana, o já radicado em SP, Zeca Viana, foi o primeiro a subir no palco, apenas ele e o violão. Zeca estava estreiando sua carreira solo-paralelamente o músico segura a bronca na bateria da Volver-e seu elogiado, "Seres invisíveis", apontado como um dos melhores do ano pelo site "Tramavirtual". Apesar de sua experiência musical, o músico demonstrou um certo acanhamento inicial, mas aos poucos foi se soltando. Gostei bastante da música "Tom & Jerry" que o artista faz uma brincadeira em torno de Tom Jobim e Jerry Lewis. Zeca Viana têm tudo pra crescer musicalmente, uma prova disso é a música, "A torneira (Quanto tempo faz?)", bem melodiosa e que faz parte do "bonus track" do álbum.
Após Viana, Lulina e sua banda estraçalharam corações com um repertório melodrámatico e ao mesmo tempo feliz, retratado fielmente na "frontwoman" Lulina. Também radicada na babilônica metrópole paulistana, a pernambucana surprendeu com a criativa, "Balada do Paulista", contrastando com a melancólica, "Do you remember Laura". O timbre da garota é semelhante ao de Fernanda Takai, versão nordestina, mas isso não é determinante na melodia. O carisma de Lulina é contagiante, entretanto considero um som de final de tarde ensolarado e solitário.
Após Lulina, a banda Nuda estava pronta pra encerrar a noite. Com um repertório mais rockeiro e ao mesmo tempo com uma pegada MPB, a banda fez a festa dos que restaram no recinto. Mesmo com o público um pouco reduzido, destilou energia e demostrou satisfação ao tocar mais uma vez por São Paulo. Mesclando músicas novas e do EP, "Menos cor, mais quem", a Nuda fez, com certeza absoluta, o som mais barulhento e com maior presença de palco. Cabe ressaltar o diferencial da percussão no som da Nuda, que mexe com a atmosfera da música. Destaque pras novas músicas, "Samba de palheta", e uma música interessantíssima sobre o caminho até uma praia pernambucana chamada Gualhetas. Um show ótimo pra conhecer o que está por vir no próximo álbum. As gravações estão previstas pra começar em breve. Mais resenhas nos próximos posts.
Zeca Viana-http://www.myspace.com/zecaviana
Lulina-http://www.myspace.com/lulina
Nuda-http://www.myspace.com/sitionuda


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